Continuando minha jornada pelo Canadá, voltamos a Port Hardy e de lá voamos para a Great Bear Forest. Nosso objetivo aqui era filmar o comportamento do Urso Grizzly! De cima, a vista dos fiordes canadenses era maravilhosa e após 1 hora de vôo chegamos ao nosso lodge, outra cabana flutuante. De lá partiamos todas as manhas e tardes para buscar imagens de Urso. O Urso Grizzly vive nos Estados Unidos, Canadá e Alasca, e pode atingir 3 metros de altura e 700 kg de peso. É um animal especializado em caçar em campo aberto, preferindo terrenos descampados de pradarias para capturar suas presas. Sua dieta é basicamente vegetariana, entretanto, nesta época ele se alimenta dos salmões que sobem os rios da região para reprodução afim de acumular gordura para o longo período de hibernação.
Great Bear Forest
Ursos Grizzly
Canadian Merganser
Urso Preto
Ficávamos escondidos em cabanas construídas estrategicamente em áreas onde eles costumam se alimentar. Tivemos a oportunidade de assistir verdadeiras demonstrações de habilidades de caça e ver ursos grizzlies a menos de 1 metro de nossa cabana.
Após 4 dias neste lodge, dirigimos 12 horas até as Rocky mountains...queiramos filmar mais ursos. Desta vez não ficamos em um lodge flutuante e nossa busca se dava em um pequeno barco. Partíamos bem cedo e passavamos o dia todo atrás de ursos. Não tiemos tanta sorte neste lugar pois vimos apenas um grande macho. Entretanto, conseguimos filmar os salmões em baixo dágua, uma cena importante para a matéria. Fizemos outra viagem espetacular e alcançamos com êxito nosso objetivo. Mes que vem embarco para as Bahamas. Vou visitar meu antigo emprego e rever meus velhos amigos, os tubarões caribenhos de arrecife.
15 dias após voltar de Galápagos embarquei em uma nova aventura...rumo ao Canada meu objetivo agora era filmar o Polvo Gigante do Pacífico (Enteroctopus dofleini) nas aguas frias da ilha de Vancouver e depois voar até a Great Bear Forest para filmar os temidos Ursos Grizzly (Ursus arctos horribilis). Vou comecar pelas geladas águas canadenses.... Depois de dirigir por mais de 6 horas e passar uma noite no carro, por falta de gasolina, chegamos em Port Hardy, uma pequena cidade no norte da ilha de Vancouver, no estado de British Columbia. De lá pegamos um taxi marinho até um dive resort bem peculiar, o Browning Pass Hideaway. Trata-se de cuma cabana flutuante escondida dentro de uma enseada de uma ilha distante. Com certeza este não é um daqueles resorts de luxo encontrados pelo mundo afora. Não havia televisão, telefones, serviço de quarto, energia elétrica só quando os geradores estavam ligados e o aquecimento era feito com fornalhas a lenha. Tudo era muito simples...e eu confesso que gostava disso. Me fazia sentir realmente próximo a natureza. Nosso anfitrião era John DeBroek, um experiente guia que opera na região há mais de 27 anos. Sua experiência nos iria ajudar a encontrar o Polvo Gigante, a enguia lobo entre outros animais. No mesmo dia partimos para o primeiro mergulho na região, e eu estava ancioso por isso. Levamos cerca de 10 minutos até o ponto conhecido como Browning wall e ao cair na água percebi porque este lugar era considerado o melhor mergulho em águas temperadas do mundo. A visibilidade variava entre 6 e 15 metros e a temperatura estava em torno de 6 graus. A parede estava totalmente coberta por invertebrados como anemonas de diversas cores, basket stars, estrelas e ouriços. As cores e peixes que nunca havia visto antes chamavam minha atenção. Eu que ja havia mergulhado em diversos lugares do mundo confesso que nunca tinha visto nada igual. Como uma imagem vale mais do que muitas palavras mostro um pouco do que vi nos dias em que mergulhei nas aguas frias do canada...
Pequenos peixes e invertebrados canadenses...
E os animais mais procurados por nós...
Quimera
Enguia-lobo (Anarrhichthys ocellatus )
Harbour Seal
O polvo-gigante-do-pacífico é o maior de todos os polvos, podendo atingir 9 m entre as pontas dos braços e 250 kg! É um animal extraordinariamente inteligente, que disfarça a entrada da sua toca com carapaças das suas presas favoritas...
Até mesmo durante as travessias tinhamos oportunidade de apreciar os mais diversos habitantes da região.
Stellar Sea Lion (Eumetopias jubatus)
Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae)
Stilt (Himantopus mexicanus)
Aguia Americana -Bald Eagle (Haliaeetus leucocephalus)
Tenho certeza que este é um dos melhores pontos de mergulho do mundo e com certeza em penso em voltar lá um dia!
No mês passado relatei aqui neste blog minha experiência nas ilhas Galápagos, um lugar que certamente merece uma atenção especial. Em cada postagem, contei de uma forma simples como foi meu dia a dia nas ilhas e também um pouco sobre aspectos geológicos e biológicos do arquipélago. Mesmo que descritos brevemente, procurei não focar em dicas turísticas sobre as ilhas, ou mesmo pontos de mergulho, e sim em sua rica história natural. Minha idéia é que estes relatos possam servir de uma possível referência para todos que planejam uma futura visita a Galápagos. Acredito que quanto mais conhecemos sobre um determinado assunto, mais oportunidades temos de disfrutá-lo. Visitar as Galápagos sem entender porque elas são ilhas tão especiais já é uma grande experiência, agora conhendo mais sobre processos as vezes não tão perceptiveis, tudo fica mais rico. Não acham? Procurei também ilustrar os tópicos comentados com fotos e alguns videos de referência. Confeso que apesar de estar vivendo o sonho de estar em Galápagos não foi fácil captar as imagens (video e foto ao mesmo tempo) estando boa parte do tempo sozinho e em condições nem sempre adequadas. Tentei fazer o melhor e agora todo o material em video captado durante a viagem será usado em um documentário sobre o arquipélago abrangendo os assuntos comentados no blog. Aguardem. Gostaria aqui também de agradecer a Adventure Travel, a Scuba Point, a Casa de Pedra, a Trespass, o Hotel Miconia em San Crisbobal (www.miconia.com), todo staff do Deep Blue e do veleiro Merak, meus companheiros de viagem no Deep Blue e aos guias naturalistas de Galápagos. Sem eles nada disso seria possível.
Caso tenham algum interesse específico, precisem de dicas de viagem, dúvidas ou sugestões podem me contatar pelo email cristian@diveadventures.com.br.
Um grande abraço a todos e até a próxima aventura,
Cristian Dimitrius
Preparei aqui um guia para facilitar a navegação no blog caso tenham algum interesse específico.
Estavamos em Santa Cruz (Indefatigable), ancorados na baia de Puerto Ayora, a maior e mais desenvolvida cidade de Galápagos (existem 4: Puerto Ayora em Santa Cruz, Puerto, Puerto Baquerizo Moreno em San Cristobal, Puerto Villamil em Isabela e Puerto Velasco Ibarra em Floreana). Aqui perdemos um pouco aquela conexão com o mundo natural e nos sentimos mais conectados ao moderno mundo construído pelo homem. Como disse no meu segundo post, mais de 100 mil vistantes visitam as ilhas todos os anos e para dar suporte a este crescimento, a população local cresceu nos ultimos 50 anos de menos de 2 mil para 50 mil habitantes. Um impacto significativo que se não fosse a criação do Parque nacional em 1959, onde 97% do arquipélago passou a ser preservado, muita coisa seria diferente.
Puerto Ayora em Santa Cruz.
Hoje em dia os animais selvagens de Galápagos convivem lado a lado com o progresso de um novo imigrante, o ser humano.
Parti logo pela manha para conhecer a Estação de Pesquisa Charles Darwin, onde inúmeros vistantes das Galápagos tem a oportunidade de aprender um pouco mais sobre as ilhas e sobre seus habitantes mais famosos, as Tartarugas Gigantes (Geochelone elephantopus), animais que Charles Darwin chamou poéticamente de "Grandes monstros".
Tartarugas Gigantes na Estação Científica Charles Darwin.
Os ancestrais destes gigantes provavelmente foram carregados pelas correntes, derivando na superfície do oceano pacífico da America do Sul até as recentes ilhas vulcânicas de Galápagos (uma tartaruga pode viver vários meses sem água ou alimento). Ao encontrar comida abundante e por não possuirem competidores ou predadores, elas evoluiram a um tamanho enorme (Um macho pode pesar cerca de 270 kg). Este conceito é conhecido como gigantismo de ilhas. Estas tartarugas podem viver mais de 100 anos e é bem provavel que uma ou outra anciã tenha nascido durante a visita de Darwin ao Arquipélago, a quase 200 anos. Uma vez nas ilhas elas evoluiram e suas caraterísticas únicas dnao base a teoria evolutiva.
Em ilhas com um solo rico em vegetação, as tartarugas possuem uma grande carapaça em forma de domo. Em ilhas mais áridas, onde a alimentação se encontra em arvores e plantas mais altas, as tartarugas possuem um pescoço mais largo e uma carapaça em que lembra uma sela. Daí o nome do arquipélado. Em espanhol, sela é chamado de Galápago, e esta distinta característicaobviamente impressionou os primeiros visitantes destas ilhas.
Uma Tartaruga Gigante com casco de sela. O pescoço mais longo e a saliencia no casco permitem que elas alcançem folhas e frutos em plantas mais altas.
Estes com certeza não vieram aqui para apreciar sua majestosidade e por vários séculos estes grandes répteis foram caçados por sua carne. O fato delas sobreviverem quase um ano sem se alimentar tornava possivel ter sempre carne fresca dentro de um navio que passava muito tempo no mar.
De uma população estimada de 200 mil individuos hoje restam apenas 15 mil. Muitos estão em estações de reprodução e pesquisa, como a estação Charles Darwin, mas é possível encontra-los também em ambientes selvagens, como as crateras dos vulcões em Isabela ou as terras altas de Santa Cruz. E foi para este ambiente que fiz minha última expedição dentro do arquipélago.
Tartarugas Gigantes nas Terras altas de Santa Cruz.
Um pato de Galapagos (Anas bahamensis galapagensis ) também encontrado nas terras altas de Santa Cruz.
Depois desta visita voltei para arrumar minha Bagagem, pois infelizmente chegava a hora de partir. É sempre difícil deixar um lugar onde a vida é tão fascinate e cuja suas formas continuam a evoluir e nos surpreender. Aqui entendi o impacto que o aquipélago causa em todos que o visitam e o olham da maneira adequada. Em Darwin, seu impacto foi tão grande que mais tarde em sua vida ele afirmou que Galápagos foi a fonte de todas as suas idéias. Hoje é o nosso impacto sobre Galápagos e como a gerenciamos que determinará o futuro das ilhas.Se obtivermos sucesso aqui, teremos um exemplo para o mundo inteiro, afinal, as Galápagos são um microcosmo do nosso próprio planeta Terra.
Meu reflexo no olho de uma Iguana marinha. Hoje os animais de Galápagos são obrigadas a conviver conosco más se nós olharmos para eles com respeito e admiração poderemos apreciar esta maravilha por muitos e muitos anos.
Para quem tiver mais interesse deixo aqui um pequeno video sobre a evolução das Tartarugas Gigantes de Richard Dawkins (em inglês)
Logo pela manhã partimos de panga para conhecer a ilha de Floreana (ou Charles) onde encontramos um habitat muito interessante. No local conhecido como Punta Cormoram a água filtrou seu caminho até a superfície acumulando-se e formando uma lagoa. Este é o lar para um dos mais inesperados habitantes de Galápagos...os Flamingos (Phoenicopterus ruber). Estas majestosas aves imigraram do mar do caribe e hoje existem cerca de 500 Flamingos em Galápagos. Todos limitados a este tipo de ambiente. Como ja estava com saudades da vida submarina parti para um snorkel na Coroa do Diabo (Devi's Crow) e mesmo sem o equipamento autônomo encontramos inúmeras espécies de peixes, Raias, alguns tubarões galha branca e um belo polvo. Realmente a vida florece nestas águas. Dalí seguimos para a Baía do Correio (Post Office bay), onde em 1793, alguns ingleses deixaram um grande barril de madeira para que fossem colocadas cartas. Eles esperavan que navios que partissem para casa levassem suas correspondencias. Hoje vários visitantes deixam um cartão postal alí para que outros turistas recolham e levem para seu país para que sejam entregues nos devidos endereços. Apesar de ser uma espécie de brincadeira, a tradição é mantida. Partimos na parte da tarde de Floreana para a ilha de Santa Cruz, minha última parada em Galápagos. Minha jornada aqui está no final. Agora só falta conhecer o animal que deu o nome ao arquipélago, a Tartaruga Gigante de Galápagos.
Navegamos durante boa parte da noite até chegar a ilha de Espanhola (ou Hood). Esta é a ilha mais antiga, quase 100 vezes mais velha que Fernandina, e localiza-se na extremidade sudeste do perímetro do arquipélago. O que um dia foi um enorme vulcão hoje é apenas um pedaço de terra plano e seco. Como expliquei em um post anterior esta ilha esta morrendo. Por cerca de 3,5 milhões de anos Espanhola se deslocou quase 161 km desde seu local de nascimento e durante este tempo ela se resfriou, contraiu-se, fraturou-se a afundou. Entretanto hoje ela se encontra em um ponto onde a corrente de Humbold lhe dá um ultimo suspiro de vida! E quanta vida!
O lado norte de espanhola é protegido contra os ventos. E por aqui começamos nossa visita a ilha, no local chamado de Gardner Bay, onde uma longa praia de areia branca passou a ser um dos locais preferidos pelos Leões Marinhos de Galápagos.
Piru-piru Americano (Haematopus palliatus)
Nesta praia também é possivel encontrar o Hood Mockingbird (Nesomimus macdonaldi). Foi justamente este gênero de passaros que chamou a atenção de Charles Darwin para a possibilidade das espécies sofrerem modificações. Em Galápagos, podemos encontrar 4 espécies de Mockingbirds, que apresentam apenas leves diferenças. A espécie desta ilha possui um bico mais largo e passa o dia todo procurando alimento, qualquer que seja.
Hood Mockingbird (Nesomimus macdonaldi)
Lagarto de Lava de Espanhola, o maior deste gênero.
Também nesta praia encontramos a maior espécie de Lagardo de lava de galápagos, varios tentilhões e a Iguana Marinha (Amblyrhynchus cristatus), o único lagarto do mundo com hábitos marinhos. Estes répteis extraordinário vive em zonas rochosas da beira-mar e alimenta-se de algas que apanha quer na zona de rebentação quer mergulhando junto à costa (nadam muito bem e podem ficar até 15 minutos debaixo d`água). Tive a oportunidade de ver estas Iguanas se alimentando das duas formas. Em baixo dágua, devido as ondas e a pouca profundidade confesso que foi uma tarefa bem difícil registrar em vídeo elas se alimentando. Em cima dágua foi bem mais fácil e uma iguana distraída chegou tão perto que se apoiou no pé pra se alimentar. No final deu tudo certo!
Iguana Marinha (Amblyrhynchus cristatus)
Se alimentando na maré baixa
Se alimentando na maré alta
Depois de meio dia explorando esta bela praia partimos para o outro lado da ilha, no local conhecido como Punta Suarez. O lado sul recebe a forca total dos ventos e do oceano e em vez de uma praia, temos um belo penhasco. Acima dele uma plataforma oferece um lugar seguro para diversas aves se nidificarem. Atobás de Patas azuis (Sula nebouxii) , Atobás mascarados (Sula granti), Passaros tropicais (Phaethon aethereus), o Gavião de Galápagos (Buteo galapagoensis) e a mais majestosa delas, o Albatroz (Waved Albatroz - Phoebastria irrorata). Esta grande ave chega a medir 2 metros de envergadura e a pesar 4 kg. É a maior ave de Galápagos e praticamente toda populacão mundial se acasala aqui em Espanhola.
Gavião de Galápagos (Buteo galapagoensis)
Passaro Tropical (Phaethon aethereus)
Atobá mascarado (Sula granti)
Atobá de Pata Azul (Sula nebouxii)
Albatroz (Waved Albatroz - Phoebastria irrorata)
Partimos no fim de tarde para a ilha de Floreana e a plana ilha de Espanhola foi aos poucos desaparecendo no horizonte. Um dia esta ilha terminará sobre as ondas e todas as outras ilhas certamente a seguirão, carregadas pela esteira rolante de Galápagos, até encontrarem o mesmo destino, debaixo das águas do oceano pacífico.
Após descer do Deep Blue, um luxuoso barco de mergulho, meu próximo transporte e hotel entre ilhas seria o veleiro Merak, uma embracação bem menor, com 16 mts de comprimento. A aventura começou bem mais cedo do que imaginava pois o barco ja havia partido e tive que encontra-lo na ilha de Santa fé (ou Barrington). A única maneira de fazer isso era me juntar a dois pescadores em um pequeno barco... e la fui eu. Levamos cerca de 1 hora para atravessar de uma ilha para a outra..havia muita onda...e nos molhamos bastante...entretanto foi uma boa experiência. No caminho conversamos sobre pesca e pude ver que esse assunto em Galápagos é coisa séria. Lá os recursos são respeitados. Apenas a pesca artesanal é permitida, e mesmo assim existem limites de quantidade, época e tamanho para diversas espécies. Que bom! Nós mergulhadores agradecemos!
O Embarque, os pescadores e a travessia para encontrar o veleiro Merak
Mal embarquei no Merak e ja partimos para explorar a ilha de Santa fé. Foi um passeio curto, mas podemos observar varios animais endêmicos, ou seja, animais que evoluiram alí e não são encontrados em nenhum outro lugar da Terra. Observamos diversos Leões Marinhos de Galápagos (Zalophus wollebaeki) na praia, a Garça da Lava (Butorides sundevalli), Pombos de Galapagos (Zenaida galapagoensis), a Iguana Terrestre de Santa Fé (Conolophus pallidus- considerada uma subspécie da Iguana terrestre encontrada em ouras ilhas) e alguns dentilhões.
Leões Marinhos de Galápagos (Zalophus wollebaeki)
Garça da Lava (Butorides sundevalli)
Iguana Terrestre de Santa fé (Conolophus pallidus), endêmica de Santa Fé.
Pombos de Galapagos (Zenaida galapagoensis)
Além da rica fauna, observamos uma espécie de cacto que possui o tamanho de uma árvore (Opuntia echios gigantean). Entender como este cacto evoluiu para se tornar uma espécie tão grande ajuda a nós entender mais um pouco o processo de evolução. Um primeiro aspecto é que não haviam outras árvores para competir por recursos e como espécie dominante poderam crescem mais que outras espécies de cactos em outros lugares. Um outro aspecto é que muitos animais dependiam dessa planta como alimento então gerou se uma corrida armamentista de ambos os lados. De um lado os animas com caracteristicas mais favoraveis, como uma Iguana capaz de resistir aos dolorosos espinhos do seu fruto, foram favorecidos pela seleção natural. Do outro, os cactos que cresciam troncos mais e mais altos apresentavam uma vantagem importante, pois escapavam destes predadores terrestres.
Cactos do tamanho de árvores (Opuntia echios gigantean)
Assim acontece o processo contínuo de evolução. Uma vez que uma população é geograficamente isolada de sua população ancestral ela tenderá, com o tempo, a divergir geneticamente. Em algum momento ela poderá se diferenciar o suficiente para ser reconhecida como uma subspécie (ou raça) e, com o passar do tempo, se evoluir ao ponto de não ser capaz de reproduzir e gerar descendentes férteis com a espécie ancestral, ela ganha o status de nova espécie.
Árvore evolutiva das espécies de Iguanas encontradas em Galápagos em tempos presentes.
Se entendermos o processo entedemos a biodiversidade de Galápagos, da terra e até nós mesmos. Partimos dalí para conhecer uma das mais belas ilhas do Arquipélago, a mais antiga de todas, a ilha de Espanhola.
Por coincidencia encontrei mais um video sobre Galápagos explicando a evolução das Iguanas (Em inglês)
Chegamos a ilha de Santiago (ou James) pela manhã e ancoramos na baia de Sullivan. Tinhamos dois mergulhos pela frente no ponto chamado de Roca Cousin e estes seriam os últimos a bordo do Deep Blue. Diferente dos outros mergulhos, onde buscavamos grandes animais, neste mergulho focamos nos pequenos habitantes de Galápagos. Nos outros mergulhos, davamos apenas algumas espiadas na vida macro e ficava imaginando que seria demais mergulhar ali mesmo sem os grandes animais. Entretanto eles chamavam muita atenção e nosso foco era sempre voltado para eles.
Roca Cousin, nosso ultimo ponto de mergulho a bordo do Deep Blue
Desta vez, pela primeira vez em Galapagos, caí com a lente macro e encontrei todos animais que buscava. Logo de início um belo cavalo marinho laranja. Depois, varias espécies de blênios. Quase no final do mergulho o divemaster me mostrou um peixe sapo que mais parecia uma esponja. Mudar o foco nesta altura da viagem foi bem interessante. Além dos pequeninos, encontrei também diversas tartarugas verdes, Arraias chitas, Arraias prego e alguns Leões Marinhos. Mergulhar em Galápagos é assim, uma explosão de vida que se manifesta em diversas formas de cores, formas e tamanhos. Foi um belíssimo mergulho e senti que estava fechando a temporada de mergulho em Galápagos com chave de ouro. Na parte da tarde, partimos para uma exploracão em terra. Fomos conhecer os famosos campos de lava de Santiago. Charles Darwin pisou em Santiago em outubro de 1835 e passou uma semana estudando a geologia da ilha. A primeira vista é possivel entender o que chamou a atencão de Darwin.
Ao descer do inflavel pisamos diretamente em um rio de lava solidificada cuja a extensão desaparecia no horizonte. Sobre a lava, Iguanas Marinhas, Lagartos de lava, passaros e caranguejos se . Uma espécie de Cacto, Chamado de Cacto de Lava (Brachycereus nesioticus), também se adaptou ao ambiente inóspito e é uma das poucas espécies de plantas que sobrevive sobre o manto negro. Este grande campo de lava é resultado da ultima erupção do Vulcão Cowan, que ocorreu no final do seculo 19 (Não se conhece a data exata). Qualquer dúvida que alguém pode ter sobre o vulcanismo das ilhas Galápagos é respondido neste passeio. Esta parte da ilha é puramente lava (resfriada e solidificada) e é possivel identificar claramente os seus diversos tipos, como a "Pahoehoe", cuja forma lembra a trança de um corda, e a "Aa", cuja a forma é mais variada e menos uniforme. Ambos nomes são havaianos e foram adotados no mundo inteiro como descrição de tipos de lava.
Pahoehoe Lava
Aa Lava
Mas porque Galápagos possui tantos vulcões?
Vulcanismo é a força principal nas ilhas Galápagos, pois elas estão conectadas diretamente com o coração da terra. Elas estão localizadas sobre um Ponto quente vulcanico (Hot Spot), na verdade, um dos mais ativos da terra. Para se ter uma idéia, Existem 6 vulcões ativos em Galápagos e o de Fernandina (Narborough) teve 14 erupções nos últimos 37 anos. Esta é a ilha mais jovem, e se situa bem acima do Ponto quente, no ponto mais oeste do Arquipélago. Todas as ilhas nasceram próximo a este ponto e foram lentamente levadas pelo movimento da Placa Tectonica de Nazca para o leste, em direção a America do Sul. O que vemos hoje é apenas um estagio no tempo.
As ilhas Galapagos. A esquerda vemos as ilhas mais novas como Fernandina, que possui pouco menos de 1 milhão de anos de idade. A direita e mais ao sul, Espanhola, cuja a idade esta estimada em cerca de 4 milhões de anos. Todas as ilhas estão movendo nesta direção.
Logo que nascem, as ilhas elas comecam esta jornada, movendo-se cerca de 50 cm por ano (um deslocamento muito alto em termos geológicos). Uma verdadeira esteira rolante geológica. As ilhas mais novas, como Fernandina e Isabela, ficam a oeste e as mais antigas, como Espanhola, a sudeste. As ilhas de meia idade, como Santa Cruz e Santiago, se encontram entre elas. Além deste movimento, assim que as ilhas nascem, um lento processo de erosão transforma ilhas com grandes montanhas em ilhas mais planas. Este é o destino de todas as ilhas de Galápagos, e muitas ilhas ja sucumbiram e se encontram debaixo do oceano.
O lento processo de nascimento, erosão e morte das ilhas Galápagos.
Partimos no fim de tarde para a ilha de San Cristobal. Era o fim de uma semana de Mergulhos em Galápagos. Mas minha expedição estava apenas na metade. Ao deixar o Deep Blue, parti solo para explorar outras ilhas do Arquipélago e descobri que Galápagos tem muito mais a oferecer!
Enquanto meu video não fica pronto confiram um video de Richard Dawkins sobre as Ilhas Galápagos (em inglês com legendas em espanhol). Vale a pena assistir.
Chegamos ao Cabo Marshal em Isabela pela manha, depois de navegar durante toda a noite. Isabela (ou Albermale) é a maior ilha do arquipélago, possuindo uma área de 4.640 km². Sua forma, lembra a de um cavalo marinho, mas ela é na verdade a soma de 6 vulcoes (Equador, Wolf (o mais alto com 1660 m de altitude), Darwin, Alcedo, Sierra negra e Sierro azul).
Nosso ponto de Mergulho ficava no Cabo Marshal, na base do volcao Wolf. Era possivel ver rios de lava solidificados entre camadas de vegetação que cresciam no corpo do vulcão, uma visão bem interessante. (contarei mais sobre vulcanismo no próximo post). A agua estava bem mais fria, devido a forte influencia da corrente de Crowell. Consequentemente a vida proliferava. Inumeros cardumes de diversas espécies de peixes se deliciavam com esta sopa de plancton. Alguns deles pareciam formar um corpo único que, unidos para protecão, nadavam de forma simetrica e seus movimentos hipnotizavam os mergulhadores ali presentes. No fundo, enguias de jardin de Galapagos nem precisavam sair de sua toca para comer o alimento que vinha direto para as suas bocas. Era uma explosão de vida e fizemos ali 3 mergulhos sensacionais.
Depois, fomos com a "panga" (barco inflável) ate o costão conhecer mais um animal endemico de Galapagos, e outro exemplo de sua fauna incomun, o Cormorao que nao voa. (Phalacrocorax harrisi - Flightlees Cormoran). Este animal teve suas asas atrofiadas atraves de um longo processo de evolucao e acabou perdendo a habilidade de voar. Entretanto possui patas maiores o que o torna extremamente agil na agua. Afinal, voar pra que? Aqui, com uma abundancia de comida e grandes predadores estando apenas dentro dágua, nadar bem é tudo que ele precisa. Sua maior fonte de alimento está na agua e eles são exelentes mergulhadores. O primeiro Cormorão que chegou aqui, a milhões de anos atrás, veio voando. Isolado nestas ilhas, seus descendentes foram sofrendo modificações e as características mais favoraveis a sua sobrevivencia (como a coloração escura, patas maiores e menores asas que gastam menos energia por exemplo) foram selecionadas pelo ambiente. Estes novos seres melhores adaptados ao ambiente se reproduziram mais e os outros pereceram. Com o tempo, apenas esta espécie sobreviveu e hoje é o único cormorão encontrado em Galápagos. Isso é evolução. Mas como disse no post anterior, não sempre se pensava assim. Antes era tudo muito simples. Acreditava-se que os animais eram assim porque eles foram criados assim. A mesma coisa com as plantas. Quando Darwin era jovem, era obivio que para ele que peixes foram criados para nadar e passaros foram criados para voar. Tudo era obra de um projetista. Mesmo sem ter nenhuma evidência, o criacionismo tende a ser aceito facilmente pois ele parece uma maneira obvia de explicar a natureza e, acima de tudo, é uma filosofia satisfatoria e ainda confortante. O criacionismo dá a natureza um propósito. Tudo foi criado por uma razão e nada é por acaso. Até hoje esta explicação satisfaz inúmeras pessoas no mundo inteiro e, por falta de cultura científica, muitos escolhem ignorar ou até ridicularizar o maior descobrimento da biologia: os organismos evoluem! Mas grandes idéias requerem muito tempo para serem aceitas e evolucao é uma grande idéia. O grande idealizador desta idéia foi Charles Darwin. Aos 22 anos, ainda criacionista (Não havia outra opção na época), ele partiu para uma viagem que mudaria sua vida (e a nossa) para sempre. Durante 5 anos ele deu a volta ao mundo abordo do navio HMS Beagle coletando animais e plantas e fazendo anotações. Um destes locais foi Galapagos. Darwin passou 5 semanas nas ilhas (visitou 4 delas), estudando os aspectos geológicos do lugar e coletando diversas espécies. Mais tarde Darwin escreveu:
“Considerando o pequeno tamanho das ilhas, nos sentimos mais surpreendidos com o número de seus seres aborígines, em sua área confinada... com um período geológico recente, o oceano inquebrável foi aqui dividido. Consequentemente…parece que somos trazidos de alguma forma para aquele grande fato –aquele mistério dos mistérios- a primeira aparição de novos seres nessa terra.”
Este trecho pode sugerir que Darwin tornou-se evolucionista durante sua estada nas ilhas. Isto com certeza nao passa de um mito e faz parecer que a ciencia acontece de repente: Alguns passaros com bicos diferentes, tartarugas estranhas, lagartos aquaticos e bingo – o criacionismo esta errado! Estes animais devem ter evoluido. Bom, é claro que a mente humana não funciona assim. O processo de decobrimento na ciência e longo e cheio de altos e baixos. Darwin passou mais de 20 anos estudando os animais que coletou durante as viagens, fazendo experimentos e trocando informacoes com cientistas do mundo inteiro. Neste processo comecou a desconfiar de que os animais não eram imutáveis e após coletar evidencias suficientes, publicou em novembro de 1859, 24 anos apos retornar de sua viagem, sua obra prima: A origem das espécies e a seleção Natural”, onde explica de forma simples, que mudanças ocorridas no processo de reproduçao dos organismos vivos podem ser favoraveis para alguns e desfavoraveis para outros. Os mais adaptados a um determinado ambiente sobrevivem, e passa seus genes adiante. Se dermos tempo suficiente estas novas geracoes estarao tao distantes dos seus ancestrais que serao incapazes de se reproduzirem entre si, tornando-se novas espécies. Para ilustrar o processo Darwin criou “A arvore da Vida”, onde sugere que todas as formas de vida se origiram de um único ancestral comum que vivia no mar, que viveu a cerca de 3,5 bilhoes de anos atras.
Primeiro esboço da arvore da vida de Darwin. No topo ele escreveu um intrigante "Eu penso"
Após anos de pesquisa e mapeamento do codigo genético temos esta arvore da vida (clique na imagem para ampliar).
Todos os descobrimentos na biologia que vieram depois da publicação de "A origem das espécies" comprovam e sustentam a sua teoria. Não há como negar, evolucão hoje é um fato e as palavras finais de Darwin no seu livro sugerem a amplitude de seu escopo:
"Existe grandeza nessa visão da vida que, de um começo tão simples, um número infinito das mais belas e maravilhosas formas tenham evoluído e continuem a evoluir".
Partimos de Cabo marshall para a ilha de Santiago (James) acompanhados por pelicanos e Fragatas. Foi uma navegação tranquila e muito ainda estava por vir.
Esta Jornada de descobrimento em Galapagos continua.
Mais um pequeno video que encontrei e achei que seria interessante acrescentar.
Durante a noite navegamos cerca de 4 horas de Wolf a Darwin, cujo o nome vem de….voces sabem quem. Durante a travessia fomos acompanhados por varias Gaivotas de Cauda Bifurcada (Creagrus furcatus) uma espécie endemica de Galápagos e que snao especializadas em se alimentarem durante a noite. Aproveitei o trajeto entre as ilhas para fotogravar estas aves em ação.
As ilhas de Darwin e Wolf sao primas das outras ilhas do arquipelago. Cada ilha é parte de um unico grande vulcao que se originou no fundo do oceano a cerca de mil metros de profundidade. Através da datação de potassio-argonio encontrado na lava das ilhas descobriu-se que Wolf possui 400 mil anos, e Darwin varia de 900 mil a 1,6 milhoes. Extremamente jovens, em termos geológicos…é claro. Em breve comentarei sobre a geologia do arquipélago.
Agora vamos aos mergulhos. Ancoramos ao lado da ilha, e de frente para o famoso arco de Darwin, onde realizamos 8 mergulhos. O nosso objetivo principal era encontrar o tubarao baleia, e ele nao demorou a aparecer. Descemos juntos a um grupo de golfinhos, nos prendemos as pedras e esperamos. Me sentia em uma arquibancada, assistindo um verdadeiro show. A visibilidade estava em torno dos 20 metros e a temperatura cerca de 23 graus. No azul, tubaroes martelos, tubaroes de galapagos, xareus, atuns, albacoras entre outros simplesmente desfilavam em frente aos nossos olhos. Derepente o guia saiu nadando em direcao ao azul batendo em seu cilindro e nos ja sabiamos o que isso significava….tubarao baleia, o mairo peixe do planteta. Do azul vi uma sombra e esta sombra foi ficando cada vez mais clara ate um gigante de 13 metros aparecer na minha frente. Ele passou tranquilamente e continuou rumo ao azul. Esta cena se repetiu mais 7 vezes, durante os proximos 7 mergulhos em Darwin. Outros tubarões também estavam presentes, como os martelos (Sphyrna Lewini - em cardumes gigantes), o silky (Carcharhinus falciformis) e os grandes tubarões de Galápagos (Carcharhinus galapagensis). Alem de tudo isso, na parte rochosa submersa do Arco de Darwin encontravamos uma rica diversidade de peixes e invertebrados, tudo com muita cor. Garoupas, peixe trombetas, esponjas, corais, muitas moréias entre outros. Isso sem contar as estações de limpeza por onde passavam os martelos para a remoção de parasitas. O show nao parava nunca.
Ja na ilha de Darwin, mergulhamos com os Leões marinhos. Havia uma pequena colonia, onde encontramos as duas especies de leoes marinhos endemicas de Galápagos,o Leão marinho de Galápagos (Zanophus galapagensis), cujo o ancestral veio do norte, e o Leão marinho de dois pelos (Arctocephalus galapagoensis) , cujo o ancestral veio do sul. Mergulhar com estes animais é sempre uma experiência emocionante. As femeas e filhotes sempre curiosos e brincalhões vinham nos entreter enquanto os macho, cautelosos, patrulhavam o seu território.
São animias muito ageis na agua e não é dificil entender como seus ancestrais chegaram aqui nestas ilhas. As Galapagos nunca estiveram conectadas ao continente, surgiram no meio do oceano, em uma area de grande atividade vulcanica. Por isso, toda a vida que habita estas ilhas tiveram que chegar aqui de alguma forma. Aves voaram, peixes e mamiferos marinhos (como os leos marinhos) nadaram, e os repteis vieram flutuando sobre galhadas que eram levadas pela correntes oceanicas da America do sul até estas ilhas… os primeiros colonos chegaram ha alguns milhoes de ano. E uma vez em terra, sem competidores, e com recursos escassos..comecaram seu longo processo de evolução. Mais nem sempre se pensou assim.Acreditava-se que as espécies haviam sido criadas da forma que são e portanto, eram imutáveis. Darwin provou o contrario, e sua viagem a Galapagos teve um papel importante neste processo de descobrimento. Mais isso é assunto pro próximo post.
I am a wildlife filmmaker from Brazil specialized in underwater images.
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